A notícia é velha e a Cheetah sabe que você está atrás de novidades. Mas como ignorar o belo videoclipe de Jamaican Girls, petardo mor da parceria entre a jamaicana Terry Lynn e o sueco Johan Hugo, metade do Radioclit (sim, nosso blog é Radioclit obsessive)? Por conta de uma brilhante ação da cervejaria Red Tripe, Lynn e Hugo se juntaram para criar 5 faixas que celebram a influência absurda da música jamaicana ao redor do mundo. Tem sons que puxam referências de Max Romeo, Johnny Osbourne, Steel Pulse e a melhor de todas, que tira da obscuridade a pérola No Coke, do Dr. Alban. Que grave, malandro!
Quem não se lembra de No Coke, sonzera desse nigeriano que virou dentista na Suécia, certamente vai se lembrar dessa aqui de baixo. Ícone do rasta-poperô, Dr Alban tem o seu valor!
Falando em Radioclit, eles acabaram de tocar com o The Very Best num dos festivais de música mais incríveis do mundo, o Lake of Stars, no Malawi, África.
Tá certo que o line-up não é nota 10, mas a vibe de um encontro com gente do mundo todo na beleza que é o Lago Malawi, deve ser uma experiência fantástica. É aquela coisa. Típico festival para gringo, óbvio, mas rola um belo investimento pós-evento em ações de caridade e ONGs atuantes de vários setores, sem contar que é um importante atrativo turístico para o país.
O festival desse ano (na verdade o festival tá mais é pruma festinha de 3 dias a beira de um lago), aconteceu entre os dias 15 e 18 de outubro, e reuniu, além do Radioclit, Ali B, um dos caras do Hot Chip como DJ, The Maccabees, o grande Tayo, e mais uma PENCA de artistas africanos que a Cheetah nunca ouviu falar. Em outras edições, o Lake of Stars já trouxe ao Malawi nomes como Scratch Perverts, Mary Anne Hobbs, Groove Armada e Basement Jaxx.
Bem legal a sessão Guest List com o Radioclit, no Pitchfork. Dá pra saber o que os caras gostam de ler, ouvir, jogar, assistir, aonde preferem comprar discos…
Mais legal ainda saber que os caras estão em sintonia com a macaca – isso sem falar que o João Brasil recentemente tocou na festa deles, a Secousse. Saca só a lista com os três artistas recentes que eles mais tem gostado de ouvir. Se você é fã da macaca, sabe muito bem quem é cada um deles.
Our man joão Brasil toca na Secousse dessa sexta-feira, uma das festas mais bacanas de Londres. Não é mole, não! Os planos para a dominação mundial começam nesta sexta!
A Secousse é tocada pela galera do Radioclit (e do The Very Best) e segue uma linha global guettotech com bastante pegada afro. O DJ Vamanos, do blog Guetto Bassquake e ídolo da Cheetah também sempre dá as caras. Marina, ex-Bonde, idem.
A Cheetah está completamente ensandecida com o funana, gênero cabo verdeano que vem ganhando o mundo através da pesquisa de DJs globalistas e, claro, da internet. Poucos dias atrás, inclusive, o Radioclit fez um mix especial pro Corporate Bloggin batizado de funana. Mesmo sem ser um set 100% do estilo, a divulgação que o gênero ganha por conta do alcance desse que é um dos mais conceituados artistas de global guettotech é excelente.
O funana surgiu no início do século 20 quando os portugueses introduziram o acordeón em Cabo Verde. Enquanto algumas fontes afirmam que essa introdução foi uma tentativa forçada de aculturação para que a população aprendesse gêneros musicais de Portugal, outras citam motivos econômicos: era muito mais barato importar acordeóns que órgãos, instrumentos bastante usados para fins religiosos. Nascido na ilha de Santiago, a mais populosa e onde a presença africana é mais marcante, o funana era acima de tudo uma música de camponeses.
A sonoridade lembra bastante o forró brasileiro, só que bem mais acelerado. E tem alguma coisa de lambada também. Não à toa, depois que a lambada se tornou muito polular na França, tentaram fazer com que a funana também se desse bem por lá, o que acabou não acontecendo.
Com o passar dos anos, o estilo se modernizou e hoje conta com muitos elementos eletrônicos, de sintetizadores a beats 4×4. Talvez por conta da língua portuguesa, são constantes os cruzamentos entre funana e kuduro, com produções dois países.
O artista mais espetacular que a Cheetah conhece é o Ferro Gaita, talvez o começo mais óbvio pra quem quer mergulhar no funana.
Obviamente, os funanas mais modernos e eletrônicos caíram nas graças dos europeus. Talvez o primeiro deles tenha sido o pessoal da pesada do Schlachthofbronx, da Alemanha, que batizou uma de suas melhores músicas com o nome do gênero.
Sabi Dimas – Xibioti e Sousa Janka Nabay – Eh Congo (Radioclit Edit) Uproot Andy – La Camisola Raiss Di Funana - Nho Fifi Naty Kid – Sereia Pitbull feat Machem Montano & Lil Jon – Floor On Fire Ricky T – Pressure Boom Kidy – Apoia Tradisom (Radioclit Edit) Skepta - Stageshow Rhythm Ize – Tronku Di Mundo Wiley – Sorry Sorry Pardon What (Radioclit Edit) DJ Vielo – Decale Mon Afrique DJ Gant Man – Boricua Juke Maluca – El Tigeraso Marius – Senhora De Luz Tony Allen – Fuji Ouija (Diplo Remix)
E pra fechar, mais clipes. O primeiro é uma fusão com hip hop bem bacana. Já o segundo bebe na eletrônica.
La MC Malcriado – Nos pobreza ke nos rikeza
Paulo Tavares – Pol kel funana
–
Ps: A sessão Um breve panorama apresenta textos wikipedianos sobre gêneros musicais caros ao universo da Cheetah. Ou seja, nada aqui é aprofundado!
De uma maneira geral, tá todo mundo de butuca ligada na produção musical da África. Graças a internet, tá todo mundo ouvindo, fazendo, cantando, remixando, mashupando, sampleando, homenageando, dubeando, desfazendo, baixando tudo. Por exemplo, nunca se ouviu tanta música nigeriana quanto hoje. E certamente, nunca se tocou tanto high-life, juju e afro-beat nos quatro cantos do planeta. Fela Kuti deve estar rindo a toa em alguma dimensão paralela. Mas enfim, esse é um outro papo para um outro post.
malawi
Alguns posts atrás a Cheetah falou do Amadou & Mariam, dupla com um som nada clássico mas ainda sim super ligado as tradições do Mali e de países vizinhos de culturas adjacentes. Pois bem, agora a Cheetah fala no The Very Best, união do cantor Esau Mwamwaya, nascido no Malawi, África Oriental, com o duo franco-sueco de afro-electro Radioclit. Por enquanto, ainda não existe material 100 % original do combo; ao que tudo indica o debut sai esse ano. Mas no ano passado, o The Very Best lançou a melhor mixtape de 2008, uma mix (cuja capa ilustra o post) bastante divertida e despretensiosa que junta o canto em chichewa de Esau com bases de hits indie de ligeira pegada afro, como “Cape Cod Kwassa Kwassa”, do Vampire Weekend, “Boys” e “Paper Planes”, da M.I.A., entre outros. Agora, pouco importa a capa estereotipada e a solução fácil de usar bases de sucessos alheios (o que pode soar como trilha sonora de safari para gringo ouvir), essa mix do The Very Best é um belo dum disco pop, nada mais, nada menos.